sábado, abril 06, 2013

A COMPULSÃO DE PROTEGER BANDIDOS



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A COMPULSÃO DE PROTEGER BANDIDOS






Ricardo Lewandowski,  quando atuou  no processo do mensalão, bateu de frente com o relator, Joaquim Barbosa, perdendo a simpatia da opinião pública e da opinião publicada. O país inteiro torcia pela condenação dos réus. Mesmo assim, todos reconheceram estar o ministro-revisor no direito inalienável de expor suas concepções, ainda que acusado de  ser  advogado de defesa dos mensaleiros.

Conduzido outra vez ao centro do palco das atenções gerais, ontem, Lewandowski deu nova demonstração de que gosta de remar contra a maré. Só que sua canoa virou. Não dá para entender como proibiu populares,  advogados, a imprensa  e a própria TV-Justiça de assistir e registrar o depoimento do deputado-pastor Marco Feliciano, acusado de estelionato e de  induzir à discriminação e ao  preconceito de raça.

A desculpa do magistrado foi de que a sala onde seria prestado o depoimento era pequena demais, podendo verificar-se tumulto e confusão. Argumentos pueris para quem constata serem mais do que  amplas  as instalações do Supremo Tribunal Federal.  Se a sala designada mostrava-se insuficiente, nada mais natural do que   requisitar outra, maior e capaz de abrigar quantos pretendessem estar presentes. Pior fica alegar o risco de  confusão e tumulto, ignorando a existência dos numerosos agentes de segurança encarregados de zelar pelo bom andamento dos trabalhos judiciários.

Lewandowski igualou-se ao depoente, que ainda esta semana fechou as portas da Comissão dos Direitos Humanos, deixando o povo de fora na casa do povo. Deu a impressão de ser o Supremo um acanhado quarto e sala onde não cabe ninguém.

Com todo o respeito, será a compulsão de proteger bandidos? O desprezo pelas manifestações da sociedade? A concepção de superioridade frente ao direito de informação? Tanto faz, pois  o vice-presidente da mais alta corte nacional de Justiça não desperdiçou a oportunidade de  revelar-se de forma  negativa diante do país. Marco Feliciano está cada vez mais esperançoso de sair absolvido do processo a que responde.

 Artigo do Carlos Chagas



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