sexta-feira, agosto 06, 2010
Brasil reconhecer Irã é como trabalhar com Hitler, diz ONG
As tentativas de diálogo e negociação do governo brasileiro com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad não são vistas com bons olhos pela ONG que defende a iraniana condenada a apedrejamento, Sakine Ashtiani. "Se fosse assim, trabalharíamos junto com Hitler", ataca a porta voz do Comitê Internacional contra Apedrejamento, Mina Ahadi.
Em entrevista a Terra Magazine, ela comentou o andamento do caso, elogiou a ação de Lula ao oferecer asilo para Ashtiani, mas afirmou que o caso precisa de uma ação mais firme. Nesta quinta-feira (5), a ONG divulgou que a Suprema Corte iraniana rejeitou um pedido de reabertura do caso e uma decisão final deve ser tomada na próxima semana.
Ahadi disse duvidar que a postura do presidente Lula sobre o caso até agora seja suficiente para mudar o destino da mulher condenada.
Leia a entrevista na íntegra.
Terra Magazine - A ONG anunciou que a Suprema Corte do Irã deve confirmar a morte de Sakine Ashtiani. Qual o seu sentimento sobre isso?
Mina Ahadi - A situação no momento é que tivemos uma audição na Suprema Corte, em Teerã e a Suprema Corte diz que eles vão voltar a olhar para o caso, mas não vão reabrir o caso. O promotor pediu a execução de Ashtiani, e quando o pedido chegou à Suprema Corte. A resposta da Corte foi dizer que não vai reabrir o caso, apenas vai refletir sobre confirmar a execução. O que nós esperamos é que na próxima semana haja uma decisão sobre isso. Eu acredito que o regime não quer abrir mão, eles querem mostrar um pulso firme nesse caso. O que nós já vivemos no passado é que eles mudam a sentença de "apedrejamento" para "execução", pois assim a pessoa pode ser executada muito mais rapidamente.
O Irã tem outras execuções planejadas. Por que esse caso é tão especial?
Porque é uma sentença de apedrejamento, e isso sempre ganha muita atenção, pois é uma forma bastante brutal. Nós também lutamos contra a execução em geral, mas esse caso também é importante porque os filhos de Ashtiani vieram a público e isso também trouxe bastante atenção.
Você acredita que a oferta de asilo do governo brasileiro fez diferença nesse caso?
Eu acho que foi um passo muito importante na nossa campanha. Foi importante porque um chefe de Estado falou em favor de Ashtiani e nós esperamos que outros governos e outros chefes de Estado falem em seu favor também.
Mas você pensa que isso pode influir na decisão do governo iraniano?
Até agora, o regime iraniano mostrou que não fez diferença porque inclusive disse que o pedido foi "emotivo" o termo foi usado pelo porta voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, que criticou a interferência de Lula. Eu acho que é necessário colocar mais pressão no governo iraniano.
Você defendeu, numa carta ao presidente Lula, que o Brasil não deveria reconhecer o governo do Irã. Por quê? Não é melhor manter um diálogo, uma relação amigável?
Não, eu não acho. Seguindo essa teoria, nós também deveríamos ter trabalhado junto com o Hitler. Não é bom reconhecer um país onde as mulheres são maltratadas, onde são apedrejadas até a morte. Se você reconhecer um regime como o do Irã, isso ajuda esses governantes a continuarem no poder e a manifestarem esse poder.
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