sábado, setembro 18, 2010
Missas Pagas?
Neste final de semana o Papa Bento XVI está na Grã-Bretanha, onde reza algumas missas. Até aí, tudo bem. O que nos causa espanto é o fato de que os fiéis terão que pagar para assistir às missas! Isto mesmo. A mais barata será uma missa campal realizada no Hyde Park (um parque ao ar livre de Londres) e o ingresso custará 5 libras (R$14,00). Em Glasgow na Escócia custará 20 libras (R$ 55,00) e a mais cara será em Birmingham, no centro da Inglaterra ao preço de 25 libras (R$ 70,00).
O Vaticano diz que é “uma simples contribuição para as despesas gerais” e quando foi questionado pelos próprios padres de inúmeros países, preferiu o silêncio.
É estranho, pois numa época em que a Igreja Católica perde mais e mais adeptos a cada ano, uma medida descabida destas fatalmente afastará ainda mais aqueles que pensarem sobre o assunto.
Esta medida descabida nos faz voltar aos primórdios da igreja católica, quando no ano de 593, o papa Gregório criou a doutrina do purgatório e criaram missas pagas para aliviar o sofrimento das almas que lá estavam. Por volta de 1.150 criaram as “indulgências” com o fim de reduzir o tempo no purgatório. Naquela época começaram a vender relíquias entre elas “pedacinhos da cruz de Cristo”. O dominicano João Tetzel ficou famoso por negociar documentos de indulgências da Igreja, alguns deles dando o direito antecipado de pecar. Em 1410 o papa João XXIII (não confundir com o papa João XXIII mais recente) cobrava impostos dos prostíbulos, os quais faziam parte do orçamento do Vaticano.
O papa Leão X continuou com as “indulgências” e em 1518 utilizou cofres nas igrejas com os dizeres absurdos tais como: “Ao som de cada moeda que cai neste cofre, uma alma desprega do purgatório e voa para o paraíso”!
Quanto às finanças atuais, em Julho o Jornal do Vaticano divulgou algumas cifras referentes ao balanço de 2009:
Receitas de 2009 = 250 milhões de euros (R$ 570 milhões)
Despesas de 2009 = 254 milhões de euros (R$ 580milhões)
Receitas do Óbulo de São Pedro (donativos destinados ao papa) = 65 milhões de euros (R$ 150 milhões)
Receitas das dioceses = 25 milhões de euros (R$ 57 milhões)
Embora não se tenha o número certo, estima-se que o patrimônio da Santa Sé é acima de 15 bilhões de euros (35 bilhões de reais) entre investimentos em bancos, seguros, participações em empresas de produtos químicos, aço, construção civil, imóveis e obras de arte. Além destes investimentos, existem todas as terras por todo o mundo, das quais não temos os valores.
Estes números mostram que não seria necessário cobrar ingresso para as missas do Reino Unido e imagino que qualquer cristão, independente de ser ou não católico, irá questionar esta decisão.
A Igreja perde seus fiéis a cada ano e passa por uma forte crise moral, com recentes escândalos de pedofilia por todo o mundo e tendo que pagar pesadas indenizações e ações judiciais. Neste cenário conturbado imagino que a celebração de missas pelo papa seria um bom momento de ganhar adeptos e não de aumentar a distância entre os fiéis e a Igreja.
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