Secretário de Justiça dos EUA acusa AP de “vazamento muitíssimo sério” de informação
Defendendo a legitimidade das investigações praticadas pelo seu departamento, o secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, disse que não tomou a decisão de violar o sigilo telefônico da agência de notícias Associated Press, mas que está de acordo com a ação promovida por seu adjunto, Jim Cole.
Segundo a Reuters, Holder isentou-se de dirigir a operação que classifica como “vazamento muitíssimo sério” para evitar um possível conflito de interesses, já que ele havia sido ouvido pelo FBI como parte da mesma investigação que examinou os telefonemas da AP.
Visto por críticos como uma grave violação da liberdade de imprensa, o fato teve grande repercussão em Washington, motivando questionamentos sobre a forma como o governo de Barack Obama está equilibrando a proteção da segurança nacional com os direitos relativos à privacidade.
Parlamentares de ambos os partidos recriminaram o comportamento do Executivo e o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, qualificou a ação como "indesculpável".
Na última terça-feira (14/5), em carta Gary Pruitt, presidente da AP, Cole defendeu a atuação do governo contra a imprensa, afirmando que ela era necessária para a conclusão de uma investigação de um ano sobre o vazamento de informações sigilosas.
O subsecretário rejeitou a solicitação de Pruitt para que os registros sejam devolvidos, revelando que os investigadores conduziram mais de 550 entrevistas e analisaram dezenas de milhares de documentos antes de violarem o sigilo telefônico da AP.
De acordo com uma fonte oficial, a ação executada pelo Departamento de Justiça diz respeito a uma reportagem da AP, publicada em 7 de maio de 2012, sobre uma operação conduzida pela CIA e por agências de inteligência de países aliados, que impediu a Al Qaeda iemenita de cometer um atentado contra um avião que rumava para os EUA.
"Esse foi um vazamento muitíssimo sério", disse Holder. "Sou promotor desde 1976, e devo dizer que este, se não for o mais sério, está entre os dois ou três vazamentos mais sérios que já vi", concluiu.
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