segunda-feira, abril 15, 2013

INSTITUIÇÕES EM FRANGALHOS


  • Instituições em Frangalhos



  • Numa  demonstração  a mais  de que nada resiste a nada num regime desgastado pelo egoísmo e a falta de ética como o que vivem nossas instituições,  registre-se haver chegado  a hora do Supremo Tribunal Federal. Não se fala dos destemperos do presidente Joaquim Barbosa, sequer da obsessão do procurador Roberto Gurgel em ver o ex-presidente Lula transformado em réu.  Depois desses dois episódios recentes, revelaram-se as perigosas relações do ministro Luís Fux, tanto com o palácio do Planalto, para ser nomeado, quanto com o advogado Sérgio Bermudez, para ajudar a emplacar sua  jovem filha como desembargadora no Tribunal de Justiça do Rio, através de um lauto  jantar de 300 talheres para a nata do Judiciário nacional e fluminense.

Mesmo tendo sido cancelada a homenagem que aumentaria  a suspeita de conluio entre juízes e advogados, e ainda que desmentida a suposta  promessa de Fux absolver José Dirceu como retribuição pela sua nomeação, o que fica dessas revelações é a evidência do domínio do fato.


Do Executivo e do Legislativo nem haverá que falar, desde o escândalo do mensalão e da demissão de ministros acusados de corrupção,  agora reabilitados, até a ocupação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara por um energúmeno. Faz muito que a credibilidade desses dois poderes foi para o espaço. Não propriamente chegou a vez do Judiciário, ou da parte dele envolvida num relacionamento suspeito  com o setor que todos os dias  bate às suas portas reclamando justiça. Porque faz muito que suas  entranhas vem sendo expostas.  Novidade não é. Aliás, já denunciada   pelo presidente do Supremo, personagem nem por isso  menos carente da tranqüilidade necessária para o exercício de suas funções.


Jamais se admitirá ou  exigirá que juízes e advogados permaneçam  em guerra,  impedidos socialmente de conviver, até  porque suas origens são as mesmas, nos bancos universitários.  O diabo é quando  trocam interesses à sombra do convívio.  O cancelamento do banquete que Sérgio Bermudez ofereceria a Luis Fux  repercute bem mais do que sua realização, apesar de constituir-se em   filete  d’água num oceano de permissividade que o Conselho Nacional  de Justiça de quando em quando  tenta conter  nos tribunais de todos os estados. O ex-anfitrião é patrono de um dos condenados do mensalão, processo em fase final, precisamente quando serão apresentados  embargos para tentar diminuir algumas penas.


Em suma, a semana começa mal para as instituições. Terminará pior?

Carlos Chagas

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