terça-feira, janeiro 25, 2011

Economia e união política serão foco de discurso de Obama no Congresso



O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará na noite desta terça-feira o segundo discurso do Estado da União de seu governo, em um momento em que o país busca superar as divisões políticas e a recuperação econômica segue em ritmo abaixo do esperado.

Obama já avisou que o discurso vai se concentrar na economia e na alta taxa de desemprego. Mas o foco das atenções deve ser o apelo por união entre democratas e republicanos, que ganhou força depois do atentado contra a deputada federal Gabrielle Giffords, no início do mês, no Arizona.

Pela primeira vez, no lugar da tradicional separação entre democratas e republicanos, congressistas dos dois partidos vão acompanhar o discurso sentados lado a lado.

A democrata Giffords, que continua internada após ser atingida por um tiro na cabeça, deverá ser homenageada, assim como os seis mortos e 13 feridos no ataque, e as pessoas que ajudaram a salvar e socorrer as vítimas.

O estagiário que socorreu a deputada, Daniel Hernandez, estará sentado perto da primeira-dama, Michelle Obama. Também devem estar presentes os familiares da menina Christina Taylor Green, de nove anos, a vítima mais jovem do ataque.

O apelo por união foi feito por Obama há duas semanas em um discurso na cidade de Tucson, palco do atentado.

O ataque gerou um intenso debate nos Estados Unidos sobre o papel da retórica cada vez mais violenta que opõe liberais e conservadores.

O presidente falou na necessidade de "conversar uns com os outros de maneira a curar, não a ferir".
Desde então, os índices de aprovação de Obama subiram e hoje estão acima de 50% de acordo com algumas pesquisas - o nível mais alto em mais de um ano.

A popularidade de Obama é impulsionada também pela aprovação de projetos importantes no fim do ano passado, graças a um acordo entre a Casa Branca e a oposição republicana.

Balanço

O discurso do Estado da União ocorre em uma sessão conjunta do Congresso, transmitida ao vivo pela TV, e é o momento em que os presidentes americanos falam sobre as conquistas do ano que passou e as propostas para o ano que se inicia.

O desta terça-feira também marca o início da segunda metade do mandato de Obama, que agora enfrenta uma Câmara dos Representantes (deputados federais) dominada pelos republicanos, depois da derrota democrata nas eleições legislativas de novembro do ano passado.

Diante desse cenário, alguns analistas americanos chegam a afirmar que este poderá ser o discurso mais importante do governo Obama, por representar uma chance de aproveitar o bom momento atual e reforçar a ideia de um recomeço com objetivos comuns para uma plateia que, no ano passado, foi de 48 milhões de telespectadores.

Em uma prévia do discurso divulgada em um vídeo enviado aos seus correligionários no sábado, Obama anunciou que seu foco será a economia.

O presidente deverá falar da necessidade de reduzir o déficit fiscal - que, segundo projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional), deve ultrapassar 10% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e diminuir o tamanho do governo.

No entanto, o presidente também deverá defender mais investimentos em educação, infra-estrutura, pesquisa e desenvolvimento.

Obama deve ainda focar seu discurso na necessidade de maior competitividade e na importância de adotar medidas que garantam a permanência dos Estados Unidos na liderança do ranking das economias globais.

Os republicanos, porém, já avisaram que pretendem fazer o possível para impedir novos aumentos de gastos públicos.

Neste ano, a resposta republicana ao discurso de Obama deverá ficar a cargo de dois congressistas, e não de apenas um, como é o costume.

O presidente da Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, dará a resposta oficial do Partido Republicano.

Logo após o pronunciamento de Ryan, a congressista Michele Bachmann, apoiada pelo movimento conservador Tea Party, dará sua resposta ao discurso de Obama, por meio do site do grupo Tea Party Express.(BBC NEWS)

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