domingo, agosto 31, 2008

Qualidade da água ameaçada

Mesmo nove anos após sua criação, o sistema elaborado pelo governo federal para controlar a qualidade da água distribuída à população em todo o país ainda está longe de chegar a todos os municípios brasileiros.

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde (MS), que controla a Vigilância da Qualidade de Água para Consumo Humano (Vigiagua), são de 2005 e revelam que até mesmo os estados com melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país não cumprem o que determina uma portaria do MS de 2004.

A falta de fiscalização, mesmo com a determinação do ministério, não significa que a água não tenha qualidade em todos os municípios que ainda não fazem o controle, e mostra, que o governo federal depende das informações das concessionárias de abastecimento de água.

Mais do que isso, advertem. Dificulta a realização de um diagnóstico mais preciso sobre o problema de abastecimento de água no país, um dos carros-chefe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que favorece o desperdício do dinheiro público. E, pra piorar, atrapalha as políticas públicas para reduzir as estatísticas das doenças causadas pela falta de saneamento básico.

Os números são vergonhosos. A falta de coleta e tratamento de esgoto e a contaminação da água por coliformes fecais matam sete crianças por dia no país vítimas de diarréia, segundo dados do Instituto Trata Brasil. Outras 700 mil pessoas são internadas a cada ano nos hospitais públicos devido à falta de coleta e tratamento de esgoto.

Pela Portaria 518/2004, do MS, os municípios também deveriam manter os registros de análise da água "de forma compreensível à população e disponibilizados para pronto acesso e consulta pública". Procurado pela reportagem, o ministério não informou se os municípios cadastrados cumprem essa norma. O sistema que reúne os dados, gerenciado em Brasília, não permite acesso ao público. Por esse motivo, o consumidor não consegue fazer o controle sobre a água que consome.

Troca de papéis

Os dados estão restritos, por enquanto, aos funcionários dos municípios que alimentam o sistema por meio de senhas.

Santa Catarina e São Paulo (veja a tabela), que estão entre as cinco unidades da federação com maior IDH, têm os piores percentuais de municípios em que há informação disponível sobre a qualidade da água.

Os catarinenses têm informações sobre apenas 35% de suas cidades, enquanto os paulistas não dispõem de dados sobre a metade de seus municípios. Na outra ponta da tabela, Maranhão, o estado com menor IDH do país, já implantou o sistema em 69% de suas localidades. Já Alagoas, segunda unidade com piores indicadores sociais, tem 100% de seus municípios atendidos.

Os dados enviados ao site pelo Ministério da Saúde não informam qual é o percentual de atendimento em todo o Brasil. Mas uma avaliação feita em 2002 pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) mostrou que apenas 48% dos estados estavam alimentando o sistema.

A Funasa se refere aos estados justamente porque o sistema estava sendo alimentado até 2002 pelas secretarias estaduais de saúde. "Os municípios ainda não estão estruturados para realizar as ações de vigilância da qualidade da água", diz o estudo.

Análises em menor número

"O sistema é muito bom, mas o funcionamento ainda não. E isso faz parte dos problemas de gestão dos municípios como um todo", argumenta Marcelo Bessa de Freitas, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz.

Doutor em Saúde Pública, Bessa implantou, entre 2003 e 2004, a coleta de dados em Friburgo, município da região serrana do Rio de Janeiro. Neste trabalho, o pesquisador acompanhou de perto a queda no número de amostras enviadas para os laboratórios.

"No início tínhamos dez amostras analisadas por semana, mas com a adesão de outros municípios esse número caiu para quatro justamente porque os laboratórios do governo não davam conta da demanda", relembra. "Arrisco dizer que quase todos os municípios do Rio de Janeiro não cumprem o número de amostras determinadas pelo Ministério da Saúde", diz.

A Portaria 518/2004 estabelece uma série de parâmetros para cada tipo de análise. Mas só para se ter uma dimensão do problema, no caso da verificação da incidência de coliformes totais, que contêm não só fezes humanas mas também de animais, a determinação é de que sejam feitas, no mínimo, duas amostras semanais.

"Análises de coliformes são baratas, mas outras, como a de metais pesados, exigidas pela portaria, são caras e os municípios não têm como arcar com os custos", diz Bessa.

Além disso, alguns municípios, pela falta de estrutura, estão mandando dados apurados por companhias estaduais ou privadas de abastecimento, denuncia o pesquisador. A prática contraria toda a lógica do sistema de controle, diz Bessa. As amostras dos municípios deveriam servir como contraprova e fazer justamente a checagem do que as empresas de abastecimento de água afirmam em suas análises.

"Sucateamento histórico"

Apenas 40% dos municípios no país têm estrutura própria para analisar a qualidade da água. Além disso, todos os laboratórios são do chamado nível I, que só tem capacidade para analisar os níveis de cloro, flúor e a incidência de coliformes fecais ou totais, o que não cumpre as exigências técnicas do Ministério da Saúde. A informação é do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

"Isso ainda é muito pouco e o restante dos municípios recorrer aos laboratórios centrais nos estados que também estão aquém de atender essa demandas"."Há um sucateamento histórico desses laboratórios", avalia Marcos Franco, médico especialista em Vigilância Sanitária e integrante do Conasems.

Pela primeira vez na história, diz Franco, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiu, no ano passado, R$ 8 milhões nos laboratórios centrais. Ao todo, segundo o Conasems, o MS repassa R$ 800 milhões a todos os municípios do país para ações de vigilância em saúde. Mas esse valor também se destina a outras atividades como o combate à dengue.

Santa Catarina

Ainda em 2004, o Ministério Público de Santa Catarina abriu um inquérito civil público estadual para tentar resolver o problema. Dados Vigilância Sanitária Estadual mostravam que a maioria dos municípios não enviava amostras para análise, apesar da capacidade de atendimento dos laboratórios do estado.

"Isso demonstra que há uma enorme falta de interesse do poder público em cumprir com as normas que se destinam a prevenir problemas de saúde", diz o promotor Max Zuffo, responsável por ações do Ministério Público em municípios do extremo-oeste de Santa Catarina.

Ao todo, o promotor ajuizou três ações contra os municípios de São Miguel do Oeste, Guaraciaba e Barra Bonita. "Solicitei a todos eles que indicassem o que eles propunham fazer para se adequar à lei. E eles se limitaram a dizer que era melhor aguardar até 2009, quando a nova administração eleita pudesse deliberar a respeito", revela o promotor.

As ações têm como base um estudo feito pela Universidade do Oeste de Santa Catarina. A análise da qualidade das águas de poços semi-artesianos de uso coletivo de São Miguel do Oeste constatou que 15 (33,3%) das 45 amostras analisadas eram impróprias para o consumo. Todas as 15 tinham presença de coliformes totais (de fezes humanas e de animais).

Mudanças depois da ação

Na Bahia, a ação do Ministério Público já mostra resultado no norte do estado. Os 23 municípios da comarca de Entre Rios, localizada na região, já mandam amostras de água para o laboratório de Feira de Santana, afirma o promotor Luciano Valadares.

E foi exatamente uma análise feita pelo município que encontrou um acentuado percentual de “coliformes totais” e da bactéria escherichia coli na água fornecida à população do município de Entre Rios, que motivou uma ação do promotor. A ação civil pública foi acatada pela Justiça, em maio deste ano, e a Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A. (Embasa) foi obrigada a melhorar o tratamento da água no município.

Na ação, o promotor de Justiça também pede uma indenização por dano moral coletivo para todos os mais de 42 mil moradores do município. A empresa, diz Valadares, já cumpriu 90% do que a Justiça determinou ao conceder a liminar, mas no mérito a ação pede que o valor cobrado nas contas de água, antes da melhoria no sistema de tratamento, seja devolvidos aos consumidores.

O promotor disse ao site que o próximo passo será fazer com que a prefeitura informe, de maneira simplificada e em local público, o resultado dos exames feitos semanalmente. "O que vem nas contas ainda é muito técnico e não informa a população como deveria", explica o promotor.

Saneamento x água potável

Segundo pesquisa do Instituto Trata Brasil, feita em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2007, o saneamento básico atende apenas 46,77% da população brasileira. Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo federal quer chegar ao patamar de 55%.

O investimento é de R$ 8 bilhões até 2010. Mas como os recursos vêm fontes de financiamento, municípios inadimplentes poderão ter muita dificuldade para captar o dinheiro necessário para melhorias. A advertência é feita por Raul Pinho, diretor-executivo do Instituto Trata Brasil. Ele alerta que, como a grande parte dos municípios "está quebrada", é muito difícil que as prefeituras se adéquam ao que determina o MS em relação ao controle da qualidade da água.

Pinho também acredita que, sem o Siságua em todos os municípios e sem análises corretas, é possível que os recursos do PAC possam ser desperdiçados, pois faltaria ao governo diagnóstico mais preciso do problema do abastecimento de água.

Segundo Pinho, a chamada Lei do Saneamento, que entrou em vigor em fevereiro de 2007, prevê que todos os municípios apresentem até 2010 um planejamento de ação nessa área. "Esse é um gargalo que temos e corremos o risco de ver mais uma lei não cumprida no país", avalia.

Além disso, o Orçamento da União para 2008 reserva cerca de R$ 1,2 bilhão para o setor de saneamento, 55% menos em relação ao ano anterior. Os programas “Serviços Urbanos de Água e Esgoto”, “Saneamento Rural” e “Resíduos Sólidos Urbanos” estão sofrendo este ano redução orçamentária de 57,6% (R$ 1,03 bilhão), 34,6% (R$ 106,6 milhões) e 66,4% (R$ 94,1 milhões), respectivamente. (Congresso em Foco)

quarta-feira, agosto 27, 2008

Chinaglia pede estudo sobre nepotismo na Câmara

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, admitiu esta semana que encomendou um estudo à consultoria da Casa sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o nepotismo (contratação de parentes) por meio de agentes públicos.O resultado será entregue nesta quarta-feira(27) aos líderes, durante uma reunião na presidência da Câmara. O parlamentar não descartou a possibilidade de elaborar um questionário aos parlamentares sobre a contratação de parentes.Chinaglia ressaltou que parte do princípio de que os deputados com parentes em cargos comissionados vão cumprir a decisão do STF. “Não creio que os parlamentares vão descumprir a lei", afirmou.Por sua vez, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou hoje que os senadores “vão cumprir a lei e possibilitar todas as informações sobre o nome das pessoas que devem ser desligadas do Senado”. (leia mais)O peemedebista afirmou que o senador que não proceder dessa forma poderá responder a processo administrativo. “Eu acho que a pessoa vai querer evitar esse constrangimento”, destacou. (Rodolfo Torres)

terça-feira, agosto 26, 2008

Mais Mulheres na Política

A Secretaria de Políticas para a Mulher, o Conselho Nacional de Políticas para a Mulher e comitê de mulheres de vários partidos lançam nesta quarta-feira (27) a campanha "Mais Mulheres no Poder", para incentivar a participação feminina na política.
Segundo a Agência Brasil, o último levantamento da União Interparlamentar revelou que apenas 12,3% das mulheres ocupam o Congresso Nacional, num país em que elas representam mais de 50% da população. A campanha será divulgada no rádio e na TV e terá uma plataforma eleitoral para qualquer candidatura, de homem ou de mulher, que queira promover a igualdade de gênero nas eleições brasileiras.(G1)

quinta-feira, agosto 21, 2008

Lobista acusado pela PF deu procuração para Efraim

Reportagem publicada hoje (21) pelo Correio Braziliense reforça os vínculos entre o primeiro-secretário do Senado, Efraim Morais (DEM-PB), e o lobista Eduardo Bonifácio Ferreira, acusado pelo Ministério Público Federal de negociar resultados de licitações na Casa.
De acordo com matéria assinada pelos repórteres Marcelo Rocha e Leandro Colon, Ferreira fez um contrato com Efraim dando ao senador poderes para representá-lo como sócio da empresa Chemonics Brasil Consultoria Empresarial. A empresa mudou de nome para Syngular Consultoria Empresarial Ltda. No inquérito da Operação Mão-de-Obra, que identificou fraudes em licitações no Senado, a Polícia Federal suspeita que a empresa seja de fachada.
No endereço atribuído à Syngular no cadastro da Receita, funciona uma firma que não tem qualquer relação com o caso.
Ferreira é acusado pela PF de ter acertado, no primeiro semestre de 2006, resultados das licitações – que estavam sob responsabilidade de Efraim – com as empresas Ipanema e Conservo. Apesar das denúncias, os contratos que totalizam R$ 35 milhões foram prorrogados pelo senador até 2009.
Em 29 de junho de 2006, a PF flagrou o lobista abrindo o gabinete de Efraim com uma chave pessoal logo após a Conservo e a Ipanema ganharem as concorrências. Na época, Ferreira já não trabalhava mais no Senado. Ele chegou a trabalhar para o senador paraibano entre 2003 e 2005.
Ainda de acordo com as investigações, o lobista se encontrou pelo menos oito vezes com os empresários suspeitos durante o processo licitatório e discutia o assunto também pelo telefone.
Procuração
A procuração de Ferreira para Efraim está registrada no cartório do 4º Ofício de Notas de Brasília. Ela estabelece a relação entre as partes nos seguintes termos: “representar o outorgante (Ferreira) na qualidade de sócio da firma Chemonics com a finalidade de transferir ao outorgado (Efraim), em caráter irrevogável e irretratável, 50% das cotas de capital que possui na referida empresa”.
Segundo a reportagem, o senador não consta como sócio da empresa na Junta Comercial do DF. Procurado pelo Correio, Efraim não retornou o pedido de entrevista.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), já anunciou que pretende substituir esses contratos sob investigação até o fim do ano.
Ontem o corregedor da Casa, Romeu Tuma (PTB-SP), disse que vai esperar o pronunciamento da Justiça para decidir o que fazer a respeito das denúncias que pesam sobre o primeiro-secretário. Além das suspeitas levantadas pela Operação Mão-de-Obra, Tuma também apura a contratação, sem licitação, por parte de Efraim, de empresas paraibanas para exibir propaganda do Senado e divulgar notícias enfocando senadores do estado (leia mais). (Da redação)

quarta-feira, agosto 20, 2008

Mantega pede prioridade para três propostas

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu prioridade ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, na tramitação de três propostas: reforma tributária (PECs 233/08, 31/07 e outras), PL 3674/08 e o projeto que estabelece limite de despesas com pessoal (PLP 01/07). O ministro espera que as três sejam aprovadas neste ano.Chinaglia esclareceu que o Fundo Soberano tramita em regime de urgência e passa a trancar a pauta em 2 de setembro se não for aprovado até lá. Ele acredita que, para aprovar a proposta, basta que o governo mobilize a sua base e que a oposição não faça obstrução. Com relação à reforma tributária, Chinaglia reafirmou que, para que seja aprovada neste ano, o governo deve ter mais cautela ao editar medidas provisórias. Ele lembrou que são cinco na Câmara e seis no Senado, que podem voltar à Câmara se forem alteradas. "Se a cada duas semanas entra uma nova medida provisória, isso compromete a aprovação da reforma tributária", disse. De qualquer forma, o presidente considerou um avanço a vinda do ministro à Câmara para discutir a possibilidade de editar medidas provisórias.Prioridades da Câmara Chinaglia também apresentou ao ministro Mantega uma lista de 39 propostas (incluindo as dez que estão na pauta de hoje) consideradas prioritárias pela Câmara e que precisam ser votadas. Ele advertiu o ministro de que o governo precisa ter prioridades claras, para que a Câmara possa se concentrar no que for mais importante.Sobre as negociações para o próximo reajuste de servidores federais, Chinaglia defendeu mais transparência do governo na divulgação dos dados, que já estão gerando polêmica entre os representantes das diversas categorias de servidores. A transparência, segundo Chinaglia, facilitaria o trâmite da proposta na Câmara - seja por projeto de lei ou por medida provisória. "Se algumas categorias se sentirem prejudicadas, isso acaba gerando uma disputa entre governo e oposição, o que prejudica a votação da matéria", disse.Anistia de pequenas dívidas Mantega apresentou ao presidente da Câmara um novo modelo de cobrança da Dívida Ativa da União, que será encaminhado ao Congresso em projetos de lei e medidas provisórias. O ministro explicou que a Dívida Ativa soma R$ 1,3 trilhão, sendo que uma parte jamais será paga.O ministro citou por exemplo que uma dívida que era de R$ 500 há dez ou 20 anos hoje é de R$ 9 mil. O governo vai propor a anistia de todas as dívidas até R$ 10 mil, consolidadas há pelo menos cinco anos.Segundo Mantega, serão beneficiados pela medida 2 milhões de pequenos contribuintes. "São cidadãos de baixa renda. Queremos limpar a ficha deles, porque não adianta ficar fingindo que vamos receber esses recursos, porque não vamos", afirmou.As medidas a serem encaminhadas à Câmara pelo governo visam também dar mais agilidade à cobrança de grandes dívidas, criando mecanismos de negociação mais eficientes.(Agência Câmara)

terça-feira, agosto 19, 2008

Chinaglia quer votações no Plenário em setembro

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, disse há pouco que o Plenário deverá ser convocado para pelo menos uma semana de votações em setembro, possivelmente a primeira, se for concluída amanhã a análise dos 10 projetos que estão em pauta. Na última semana de agosto, serão realizadas apenas reuniões de comissões permanentes e comissões parlamentares de inquérito. Sobre a reunião de líderes que será realizada hoje, às 17h30, ele lembrou que a pauta do Plenário já foi fechada na semana passada, com 20 itens, sendo que dez já foram votados na última quarta-feira (13): "Nesta semana, temos itens mais do que suficientes para votação. Na reunião de hoje, os líderes vão buscar outras matérias de consenso para as próximas sessões."(Agêcia Câmara)

segunda-feira, agosto 18, 2008

Recife monumento nacional

A Câmara aprovou na última terça-feira (12) os projetos de lei 6723/06, do deputado Maurício Rands (PT-PE), que torna a cidade de Recife monumento nacional; e 1881/07, do deputado Afonso Hamm (PP-RS), que declara Sant'Ana do Livramento (RS) cidade símbolo da integração brasileira com os países do Mercosul. As propostas foram aprovadas, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Os projetos ainda serão analisados no Senado.Rands lembra que Recife, fundada em 1537, cresceu rapidamente devido à cana-de-açúcar e, com isso, atraiu a atenção dos holandeses. "O domínio holandês, em especial com o governo do Conde João Maurício de Nassau, agregou às tradições portuguesas, negras e índigenas um olhar e um fazer diferenciados sobre cultura, urbanização e administração pública." O deputado também lembrou que Olinda, na área metropolitana de Recife, já foi transformada em monumento nacional em 1980.Relator do projeto na CCJ, o deputado Roberto Magalhães (DEM-PE) lembra que a cidade dividiu com São Paulo o pioneirismo no ensino universitário do País. "Isso elevou sua importância, conferindo-lhe grande projeção intelectual", sustenta.(Agência Câmara)

sábado, agosto 16, 2008

Câmara pode votar Lei Nacional da Adoção na quarta-feira

O Plenário terá duas sessões na quarta-feira (20) para analisar os demais projetos da lista de 20 definidos pelas lideranças como prioritários, dos quais destacam-se a Lei Nacional da Adoção (PL 6222/05); o projeto que tipifica o crime de extermínio (PL 370/07); e o que define os crimes de responsabilidade de secretários municipais (PL 931/07). Na última quarta-feira (13), a Câmara aprovou dez propostas dessa lista.Outra matéria pendente de deliberação é o requerimento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar para prorrogação por 90 dias do processo movido contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Ele foi representado pela Corregedoria-Geral da Casa por suposto envolvimento em casos de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O relator do processo, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), tem até o dia 15 de setembro para apresentar seu parecer.Antes de discutirem os projetos de lei, os deputados terão de votar as emendas do Senado à Medida Provisória 427/08, que reformula a Valec - Engenharia, Construções e Ferrovias. Elas fazem mudanças na descrição das ferrovias cuja construção está a cargo da Valec e constam do Plano Nacional de Viação (PNV).Uma das emendas desmembra em duas a ferrovia Transcontinental, que liga o litoral norte fluminense à fronteira entre Brasil e Peru. O primeiro trecho será do estado do Rio de Janeiro a Mato Grosso. O segundo liga Mato Grosso ao Acre. A extensão total da ferrovia também é ampliada em 770 quilômetros.AdoçãoO Projeto de Lei 6222/05, do Senado, já conta com substitutivo da comissão especial encarregada de analisá-lo. O texto da ex-deputada Teté Bezerra estipula a união estável como um dos requisitos para os casais adotantes, regra válida também para os parceiros homossexuais. Em qualquer caso, o adotante deverá ser, pelo menos, 16 anos mais velho que o adotado.Quanto à adoção internacional, o substitutivo determina que ela somente poderá ser feita depois de os adotantes serem ouvidos pela autoridade judiciária brasileira e cumprirem, no Brasil, o estágio de convivência mínimo de 30 dias. A adoção por estrangeiros poderá ser tentada somente depois de verificada em cadastro a inexistência de pretendente com residência permanente no Brasil.ExtermínioDe autoria do deputado Luiz Couto (PT-PB), o Projeto de Lei 370/07 tipifica o crime de constituir, organizar ou integrar organização paramilitar ou milícia para praticar extermínio de pessoas. A pena prevista no substitutivo apresentado pelo deputado Edmar Moreira (DEM-MG) é de reclusão de quatro a oito anos. Moreira é relator pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e relatou também o PL 3550/08, do deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que tramita apensado.Secretários municipaisDe acordo com o Projeto de Lei 931/07, do deputado Mauro Nazif (PSB-RO), os secretários municipais poderão responder por crimes de responsabilidade quando praticarem os mesmos atos de improbidade definidos na legislação para os prefeitos, seja por ordem destes ou por conta própria.Entre os atos definidos no Decreto-lei 201/67 estão o de apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito próprio ou alheio; o de utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de bens, rendas ou serviços públicos; e o de desviar, ou aplicar indevidamente, rendas ou verbas públicas. A matéria já conta com parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.As votações estão previstas para as 9 horas e as 16 horas. (Agência Câmara)

quarta-feira, agosto 13, 2008

Câmara aprova criação de 3 mil cargos

Em ano eleitoral e em uma única sessão, a Câmara aprovou na tarde desta terça-feira 12 de agosto a criação de 3.090 cargos no Executivo. Quando todos os cargos estiverem preenchidos o impacto dos gastos será, pelo menos, de R$ 257 milhões por ano.
O projeto de lei encaminhado pelo governo ao Congresso que criou 2.650 cargos vai significar R$ 190 milhões de gastos a mais por ano. Os 440 cargos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), criados por medida provisória aprovada pelos deputados hoje (12), terão impacto anual nas despesas com pessoal de R$ 67,716 milhões neste ano e de R$ 125,69 milhões no próximo ano. Os dados são do Ministério do Planejamento. O preenchimento dos cargos será por meio de concurso público.
"Isso não é um trem da alegria, é um transatlântico", criticou o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP). O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) fez as contas e totalizou, com a aprovação de hoje, a criação neste ano de mais de 60 mil cargos e funções em comissão, gratificações que são pagas aos servidores.
"É a marcha da insensatez. A situação é de insegurança internacional e o País está criando cargos para a sociedade pagar. Depois reclamam da taxa de juros, quando não se faz uma política fiscal séria de controle dos gastos públicos", afirmou Madeira.
Na justificativa que encaminhou ao Congresso, o governo afirma que 2.400 cargos de Analista Técnico de Políticas Sociais vão atender às necessidades emergenciais da administração pública federal ligada à área social. Outros 250 cargos serão do quadro de pessoal da Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia ligada ao Ministério da Fazenda. Desses cargos, 200 são de nível superior e 50 de nível médio. Na Abin, 240 cargos são de oficial técnico de inteligência e 200 cargos de agente técnico de inteligência.
O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), em discurso no plenário citou os gastos do governo para concluir: "Em tempo de Olimpíadas e de recordes, o governo Lula é o campeão mundial da gastança, o que está nos levando a uma situação de prioridades invertidas em matéria de gastos públicos".
De acordo com números do líder tucano, a despesa do governo com pessoal subiu de R$ 79 bilhões em 2003 para R$ 127 bilhões em 2007. Um crescimento de 61%. Neste ano, segundo Aníbal, essas despesas subirão para R$ 151 bilhões. "É um governo que age como um novo rico. Ao mesmo tempo em que arrecada mais, tirando recursos que poderiam ser aplicados de forma mais produtiva, o governo sai gastando de forma descontrolada", disse Aníbal.(Agência Estado)

terça-feira, agosto 12, 2008

Assessoria de comunicação e a formação da opinião pública - Por Luciana Lopez


As estratégias e ações das assessorias de comunicação são feitas cada vez com mais criatividade, é possível conquistar espaço para divulgação de produtos, idéias ou reconhecimento de marcas e assim influenciar a opinião e até mesmo o gosto das pessoas. Em questões corporativas ou institucionais, o correto posicionamento junto à imprensa garante uma imagem fortalecida.
A assessoria de comunicação é hoje um instrumento mais do que necessário, às empresas, políticos e pessoas físicas que a utilizam como uma forma de se fazer presente para a opinião pública, é uma ferramenta usada para aparecer no mercado e na mídia.Impossível conceber um lançamento de determinado produto ou serviço,sem que seja pensado uma estratégia de marketing.
O mercado de trabalho é amplo, como também as frentes de atuação.Eu diria que as grandes assessorias de comunicação do país, pautam a mídia, são elas as responsáveis em “vender” as pautas para os grandes veículos e assim acabam também pautando a agenda nacional, determinados assuntos são colocados pela mídia e outros são completamente esquecidos, o recorte que as assessorias dão aos acontecimentos é fundamental para a produção jornalística e em muitos casos são estas mesmas assessorias que produzem toda a reportagem a ser exibida pela emissora de TV por exemplo.
As assessorias fazem também o trabalho inverso, elas atuam muito no gerenciamento de crises, sobretudo, crises políticas, desde o planejamento até as ações diretas a serem tomadas, determinadas assessorias desenvolvem toda uma linha de programas e serviços que orientam as empresas, órgãos públicos e políticos e em Brasília esta atuação é cada vez mais necessária, as assessorias de comunicação fazem ainda um trabalho preventivo quanto a imagem do seu cliente, focando sobretudo, na opinião pública, que é ao fim e ao cabo o público alvo do seu trabalho.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Plenário pode votar PEC que muda tramitação de MPs

A Proposta de Emenda à Constituição que muda o rito de tramitação das medidas provisórias (PEC 511/06) é o destaque da pauta da Câmara nesta semana. O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia, marcou sessões do Plenário de terça (12) a quinta-feira (14). Antes de votar a PEC, porém, os deputados terão de votar a Medida Provisória 434/08 e os projetos de lei 1650/07 e 3452/08, que trancam a pauta.Aprovada em abril deste ano por uma comissão especial, a PEC 511/06, do Senado, acaba com o trancamento da pauta do Plenário pelas medidas provisórias, mantém o prazo máximo de validade em 120 dias e remete a análise da admissibilidade das medidas às comissões de Constituição e Justiça de cada Casa (Câmara e Senado).De acordo com o substitutivo do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), o relator do mérito da MP terá cinco dias para se manifestar. Depois desse prazo, a medida provisória ganha regime de urgência e a pauta do Plenário poderá ser invertida apenas com o quorum de maioria absoluta.CréditosOs pontos mais polêmicos são os relativos às normas para a edição de MPs sobre créditos orçamentários e à possibilidade de o presidente da República retirar a MP dentro de 15 dias de sua edição. O texto permite a edição de MP sobre crédito suplementar ou extraordinário caso um projeto de lei de igual teor não tenha a votação concluída pelo Congresso Nacional depois de 75 dias de seu envio pelo Poder Executivo. Já a possibilidade de o presidente da República retirar de pauta a MP foi introduzida no texto para compensar o fim da edição de medida provisória para revogar outra.AbinO primeiro item da pauta, no entanto, é a MP 434/08, que estrutura o plano de carreiras e cargos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A medida provisória transforma a remuneração do pessoal da área fim em subsídio e cria 440 cargos a serem preenchidos por concurso público.Os atuais cargos de analista de informação e assistente de informação passam a ser denominados, respectivamente, oficial de inteligência (nível superior) e agente de inteligência (nível intermediário). Os oficiais receberão, retroativamente a 1º de abril de 2008, subsídio de R$ 7.411,78 no início de carreira e R$ 10.277,57 no final. Em 1º de outubro deste ano, os novos valores são de R$ 9.713,13 (início) e R$ 13.468,76 (final).Políticas sociaisCom urgência vencida, também trancam os trabalhos os projetos de lei 3452/08 e 1650/07, ambos do Poder Executivo.O primeiro cria a carreira de Desenvolvimento de Políticas Sociais, composta por 2,4 mil cargos efetivos de analista, para dar assistência técnica em projetos e programas das áreas de saúde, previdência, emprego, renda, segurança pública e segurança alimentar. O objetivo é melhorar a execução dos projetos sociais da União, aferindo os resultados e analisando dados para apoiar e subsidiar as atividades de controle e auditoria, além de colaborar na definição de estratégias.Transportador autônomoJá o PL 1650/07 prevê incidência das mesmas alíquotas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para os ganhos de transportador autônomo residente no Paraguai quando ele prestar serviços a operadora brasileira de transporte rodoviário internacional de carga.O Plenário analisará uma emenda do Senado que corrige a referência às tabelas do IRPF aprovadas pela Lei 11.482/07, com reajustes fixados até 2010. O texto aprovado pela Câmara fazia referência apenas a valores de 2007.Outras matérias poderão ser incluídas na pauta depois da reunião de líderes marcada para terça-feira (12) de manhã.(Agência Câmara)

sábado, agosto 09, 2008

Comissão rejeita política para construção de casa popular


A Comissão de Desenvolvimento Urbano rejeitou na quarta-feira (6) o Projeto de Lei 2165/07, do deputado Edigar Mão Branca (PV-BA), que estabelece a Política Nacional de Reforma ou Construção de Habitações de Interesse Social. O objetivo da proposta é atender famílias com renda mensal de até três salários mínimos que não tenham moradia própria ou que precisem de recursos para reformar e concluir as suas habitações.O relator, deputado Luiz Carlos Busato (PTB-RS), afirmou que a Lei 11.124/05, que criou o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social e o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, já trata do assunto. No projeto, está previsto o uso de tecnologias que minimizem o impacto ambiental, com a adoção de matérias-primas e insumos reciclados e a reutilização e o tratamento de resíduos sólidos. Porém, Luiz Carlos Busato ressaltou que já estão entre as diretrizes do sistema o incentivo à pesquisa e a incorporação de desenvolvimento tecnológico e de formas alternativas de produção de moradias. A proposta contém ainda pontos questionáveis, na avaliação de Busato, como um artigo que atribui responsabilidade conjunta ao poder público e à sociedade pela eficácia da reforma ou da construção de moradias de interesse social. Tramitação Sujeito a análise em caráter conclusivo, o projeto ainda será examinado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.Íntegra da proposta:- PL-2165/(Agência Câmara)

quinta-feira, agosto 07, 2008

Senado fará nova licitação para contratos sob suspeita

Em no máximo 60 dias, o Senado apresentará uma nova licitação para os contratos considerados suspeitos e sob a investigação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) desde em 2006, pela Operação Mão-de-Obra.
O contrato de terceirização do serviço de taquigrafia das comissões, caso revelado pelo Congresso em Foco (leia mais), também será analisado pelos assessores do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). A procuradora da República Ana Carolina Roman, que investiga denúncias de nepotismo no Senado, vai convocar as pessoas envolvidas com a terceirização da taquigrafia e a contratação de parentes de servidores da Casa pela empresa responsável pelo serviço (leia mais).
O anúncio foi feito na manhã de hoje (7) por Garibaldi. "Assim que for feita a nova licitação, os contratos serão rompidos para aqueles que estão sob suspeição", disse Garibaldi. O novos editais serão criados pelo chefe de gabinete da Presidência do Senado, Florian Madruga. (Lúcio Lambranho).(Congresso em Foco)

quarta-feira, agosto 06, 2008

Plenário aprova MP sobre dívida agrícola

O Plenário aprovou há pouco projeto de lei de conversão do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) à Medida Provisória 432/08, que autoriza a renegociação da dívida agrícola brasileira. Restam os destaques ao texto, que serão votados em nova sessão extraordinária marcada para as 15 horas. Um acordo entre base aliada e a oposição garante que não haverá obstrução durante a votação, e que três destaques, a serem escolhidos pela oposição, serão votados nominalmente.(Agência Câmara)

terça-feira, agosto 05, 2008

PSDB propõe acordo para desobstruir a pauta

O líder do PSDB, deputado José Anibal (SP), apresentou há pouco uma proposta aos líderes para desobstruir a pauta do Plenário. Pela proposta, o PSDB concorda em votar as quatro MPs e os dois projetos de lei que trancam a pauta, e os partidos discutiriam uma lista de matérias prioritárias para serem analisadas até as eleições. Ele deixou há pouco a reunião de líderes, que ocorre no gabinete da Presidência.Anibal adiantou ainda que seu partido é favorável à votação da MP 431/08 hoje, e o início da discussão da MP 432. A primeira reajusta a remuneração de cerca de 800 mil servidores civis e 600 mil militares, e a segunda renegocia mais de R$ 70 bilhões em dívidas rurais. O parlamentar disse também que propôs aos líderes a rejeição da MP 437/08, que transforma a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca em Ministério da Pesca e Aqüicultura e cria cargos comissionados em vários ministérios.(Agência Câmara)